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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Um pouco sobre o COT: fiscalização.

No início da semana, a Nascar anunciou a punição ao #01 de Martin Truex Jr, por irregularidades encontradas no teto do carro antes da prova em Daytona. O piloto perderá 150 pontos no campeonato, caindo de 14º para 18º na classificação, e praticamente dando adeus a uma vaga nos playoffs. Seu crew chief Kevin Manion terá que pagar 100.000 dólares, além de cumprir suspensão de 6 corridas e estar em observação pelo resto do ano. Aproveitando o momento propício, vou falar um pouco sobre como é feita a fiscalização dos carros antes das provas.

Com o carro antigo, a inspeção era muito mais branda. Os chamados "templates"(peça em amarelo) eram diferentes dependendo da montadora, e abrangiam poucas partes do carro.

Já com o Car of tomorrow(COT), ela tornou-se muito mais rigorosa, como podemos ver na foto acima. Todos os carros, independente da montadora, são obrigados a encaixar no mesmo molde, conhecido como "the claw"(a garra), que é formado por vários templates. Com toda essa rigidez, a Nascar tentou diminuir os gastos das equipes, e consequentemente aumentar a competitividade na categoria, pois o mesmo modelo de carro seria usado em todas as provas. Antigamente, as equipes corriam com modelos totalmente distintos dependendo do tipo de pista(superspeedways, ovais curtos, circuitos mistos, etc).

Mas o aumento na fiscalização não impediu que as equipes continuassem aprimorando a aerodinâmica do carro, principalmente os times mais ricos. Uma prova disso foi a punição aos carros #24 de Jeff Gordon e #48 de Jimmie Johnson, da fortíssima equipe Hendrick, ano passado em Sonoma. Trazendo mudanças aerodinâmicas na parte dianteira do COT, ambos os Chevys foram aprovados numa primeira inspeção, pois encaixavam perfeitamente nos chamados "hard points", locais onde os templates tocam a lataria do carro. Mas os fiscais desconfiaram que algo estava errado, fizeram uma nova vistoria, e descobriram que haviam sido feitas modificações entre os templates, locais que não são abrangidos pelo "the claw". Apesar de não estar claro nas regras que as equipes não poderiam mexer nessa parte dos carros, a Nascar aplicou uma dura punição aos times #24 e #48, que serviu também de alerta para todos os outros competidores.

Entretando, as irregularidades encontradas no carro de Martin Truex Jr, na última semana em Daytona, mostram que as equipes continuam buscando melhoras aerodinâmicas, mesmo com o perigo de serem punidas severamente pela Nascar. Num esporte decidido por milésimos de segundo, os times buscam brechas no regulamento para fazer pequenas mudanças no carro, que podem ser a diferença entre brigar por vitória, ou andar do meio para trás do pelotão.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Um pouco sobre o COT: splitter e asa traseira.


Em 2007, a Nascar implementou um novo modelo de carro para a categoria, o então chamado "Car of Tomorrow"(COT). A idéia inicial era que esse carro realizasse 16 provas no seu ano de estréia, 26 em 2008, e apenas em 2009 seria utilizado em todas as 36 corridas do calendário. Mas após os resultados satisfatórios nas primeiras provas, e o alto custo para as equipes manterem dois modelos durante a temporada, decidiu-se que já em 2008 o "carro do amanhã" seria utilizado em tempo integral. Daqui pra frente, vou mostrar algumas partes desse novo carro(acima, à direita), que é bem diferente do antigo. Hoje vou falar um pouco sobre o splitter e a asa traseira.

O Splitter é uma peça que fica na parte dianteira do carro, e através dela os mecânicos podem fazer diversos ajustes para melhorar o desempenho na pista. Descendo o splitter, deixando-o mais perto do asfalto, o carro ganha "downforce" e consequentemente consegue andar melhor nas curvas. Caso contrário, se for levantado, o carro ganha mais velocidade nas retas.

Assim como o splitter, a asa traseira também é usada para fazer ajustes aerodinâmicos. Esses ajustes podem ser realizados de duas maneiras: mudança na angulação da asa, ou com a troca das placas laterais.

O ângulo da asa pode variar de 0° a 16°, sendo que quanto maior a inclinação, maior o "downforce". Já as placas laterais podem ser retas, para o carro ganhar mais velocidade, ou curvadas, que proporcionam maior estabilidade.